28 maio, 2012
NÃO É QUE EU VÁ DESMERECER A OVERDOSE DE ALGUÉM
Depois de um bom tempo sem frequentar qualquer tipo de balada, resolvi ir à festa de comemoração dos vinte anos da Soparia. Não exatamente pela Soparia e Roger de Renor, e sim pela principal atração da noite, Wander Wildner, o Rei do Punk Brega – e sobre quem eu apresentei um trabalho no último Congresso da Alas – acompanhado da Caravana do Delírio.
Meu marido estava empolgadíssimo pela festa depois de ter ido comprar os ingressos no Clube Líbano e ter visto a decoração temática.
Chegamos super cedo. E confesso que fiquei chocada com o público. Nossa, como aquelas pessoas haviam envelhecido. O pior, enquanto eu estava em busca de novidade, a maioria estava a fim de revival, de viver novamente a época da jukebox da Soparia. Começou a me bater um tédio, uma moleza ao ponto de me retirar da festa e ir dormir no carro.
Enquanto isso as pessoas curtindo a maior vibe do reencontro.
Quando voltei o show da Má Companhia estava para começar. Até que deu pra dançar um pouquinho o que aquele grupo chama de rock and roll de verdade.
E eu que nasci e me criei na “tradição” do Velvet Underground, passando por Patti Smith, Iggy Pop, David Bowie, Smiths, Pixies, Blur, Strokes, etc., etc., até chegar em Beitut e Wander Wildner, não pude acreditar como gostar de rock – do bom e velho rock and roll – poderia ser atitude tão careta. E, citando, literalmente, A Caravana do Delírio, não é que eu vá desmerecer a overdose de alguém, mas é uma pena ver tanta gente se prendendo a um passado que não volta mais.
Isto ficou nítido quando, finalmente, depois de muito massacre, Wander Wildner estava lá junto com A Caravana do Delírio. Aqueles que estavam achando o máximo dançar Pink Floyd correram como o diabo foge da cruz. Tinha um casal do meu lado, desses metidos à cabeça, que no auge do seu etnocentrismo passaram a associar a qualidade musical de Wander Wildner à seu pivô (se referindo à dentição dele). Meu Deus! Pivô, eu nem lembrava mais dessa palavra! Um povo que ficou incomodadíssimo em ver aquela mistura de punk e brega, mas que não arredava o pé do frontstage. Eu, por minha vez, me esgoelava e descabelava (no modo de dizer, porque nem cabelo pra descabela eu tenho) e provocava a velharada cabeça (pelo menos os que restaram porque boa parte foi embora) que assistia ao show chocada e incomodada.
Bom mesmo foi quando umas meninas subiram ao palco para executar performances ao som da música, no melhor estilo punk de interação público/artista.
Ainda bem que depois das 3 da manhã, quanto a mim, foi fruição total.
Perdoem-me o meu também etnocentrismo, mas, usando o bom portunhol Wanderwildnês: hay que envelhecer, pero sin ficar ultrapassado jamás!
Boa semana e aproveita o player com a minha "tradição"!
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